VoIP herda a complexidade das tarifas convencionais

Ninguém duvida que o custo da ligações VoIP comparados aos serviços convencionais são menores. Difícil, entretanto, é descobrir o valor cobrado por cada operadora. A voz sobre IP elimina os parâmetros de tempo e distância nos cálculos de custo da ligaçoes.
Quando o usuário fala via internet com outro cliente da mesma operadora VoIP, a ligação é gratuita (ligação de computador para computador), porque a plataforma IP permite eliminar os parâmetros de tempo e distância nos cálculos de custos feitos das ligações, e o usuário paga apenas pela conexão de banda larga para o acesso à internet.
Mas no caso das conexões de voz, via internet, para telefones fixos ou móveis, a promessa de economia de até 50% em relação às tarifas convencionais interurbanas ainda é uma realidade de matemática complexa.
Isso porque as tarifas VoIP seguem um modelo tarifário similar ao do mundo convencional da telefonia, que prevê até quatro degraus tarifários dentro de um mesmo Estado. O motivo dessa loucura ser mantida na oferta inovadora de falar via internet acontece porque as operadoras VoIP não têm rede IP nacional que vão até a casa do usuário.
Ou seja, todas as ligações VoIP, em algum momento, vão trafegar fora da internet, exigindo interconexão de redes e, consequentemente, ampliando os custos revertidos ao usuário.
Esse caminho, aliás, segue a confusão das áreas conurbadas, que têm diversas cidades com o mesmo código de seleção e tarifas diferentes para telfonia fixa. Por exemplo, uma ligação telefônica de qualquer lugar do mundo, via internet, para um número convencional na capital paulista, tem preços altamente competitivos, pois a maioria das operadoras VoIP tem um ponto de rede IP no município.
Mas Jundiaí, também no Estado de São Paulo, e a poucos quilômetros da capital, pode estar fora do mapa de cobertura IP da operadora e, por isso, ter uma tarifa mais alta.
Essa situação cria uma confusão enorme diante das tabelas das operadoras VoIP, que tentam oferecer um preço padrão conforme suas estratégias operacionais e nem sempre conseguem transmitir aos usuários a diferença das tarifas dentro do mesmo Estado.
Diante dessa dinâmica, o Canal VoIP encarou o desafio de identificar para o usuário residencial o que pode ser evitado na hora de contratar o serviço das dezenas de operadoras em operação no País, e determinou dois destinos para essa pesquisa, nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Alertas

O primeiro passo a ser traçado é identificar o destino das ligações interurbanas feitas pelos telefones tradicionais. Depois é hora de entrar numa maratona de tabelas confusas e de difíceis analogias.
Como as redes dessas operadoras nem sempre estão na mesma localidade, o usuário poderá deparar se com uma tarifa super econômica para um certo destino e outra extremamente cara para o município mais próximo daquela região.
Uma das alternativas é optar pela operadora que oferece a tarifa mais barata para o destino que recebe o maior volume de ligações interurbanas feitas pelo usuário.
Outra solução, caso as ligações passem pela rede da operadora, é adquirir um número telefônico VoIP daquele município.
A Vono, da GVT, por exemplo, oferece uma tarifa de R$ 0,07 para os usuários que ligam para os telefones convencionais da operadora GVT, que iniciam com o código 30 ou 40 e estão identificados na cesta de números de outras operadoras do sistema tradicional de telefonia. Ou seja, a vantagem de pagar R$ 0,06 por minuto dificilmente será explorada de forma clara e transparente.
Vicente Linhares, diretor da Vono, explica que a tarifa de R$ 0,11 é válida para 151 cidades do Brasil, inclusive a capital paulista e a cidade do Rio de Janeiro. Mas nas demais cidades fora da rede IP da GVT, a tarifa passa para R$ 0,25. São os casos de Nova Iguaçu e Teresópolis, cidades próximas à capital carioca e que estão fora da infra-estrutura de rede da operadora.
A Taho não investiu em rede IP própria e utiliza infra-estrutura de conexão das operadoras de mercado. "O usuário não quer se preocupar com POP (ponto de presença). Para ele, o importante é pegar o telefone e fazer a ligação para qualquer lugar do mundo. Essa é a diferença da Taho, que simplifica a variação da tarifa VoIP", observa Luiz Claudio Abad, vice-presidente de Tecnologia da Taho.
Abad explica que a operadora busca fechar as melhores alianças para oferecer a tarifa mais competitiva em cada região. No Estado de São Paulo, por exemplo, são três variações: R$ 0,11 centavos para capital e 42 cidades; R$ 0,14 para sete cidades, entre elas Jundiaí; e as demais têm tarifa de R$ 0,24.
Já no Estado do Rio de janeiro, as tarifas seguem uma variação inferior a R$ 0,13 para capital e cidades da grande metrópole e R$ 0,24, para os demais municípios. Detalhe: Teresópolis, município próximo da capital, também tem a tarifa mais alta.
Já a Transit, resolveu eliminar todos os degraus tarifários, independente da infra-estrutura própria, presente em 39 municípios. A epresa oferece três variações de tarifas para qualquer destino do País. "Temos uma tarifa dentro do Estado, de R$ 0,20, e outra fora do Estado, de R$ 0,26. Não importa a origem nem o destino da ligação feita via internet", explica Jorge Noboru Nakamura, vice-presidente da Transit Telecom.
Ele admite que o preço não é tão competitivo em relação às demais prestadoras de serviços VoIP, mas alerta que, se o usuário tem consumo acima de R$ 500, a métrica de pagar menos dentro da rede IP é válida e segue descontos progressivos conforme a demanda de uso.
Além de ficar de olho na tabela de preços, o usuário precisa ficar atento também à cobrança do minuto. Abad, da Taho, ressalta que poucas operadoras têm a prática de cobrar frações de minuto.
"A maioria cobra o minuto inteiro mesmo que usuário tenha falado apenas alguns segundos. Nós cobramos a cada seis segundos o valor correspondente ao minuto cheio. Isso faz uma diferença grande quando o usuário fala um minuto e meio via Taho comparando com outra operadora que cobra dois minutos cheios", alerta Abad.

Fonte: Convergência Digital

Autor: Ceila Santos

Data: 01/11/2006

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